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Distúrbios de aprendizado: como diagnosticar? O código gráfico (leitura e escrita) é uma das formas mais aprimoradas na comunicação humana. Segundo Feldman e colaboradores (1987), a criança apresenta-se pronta para a aquisição do código gráfico por volta dos seis anos de idade, pois nessa idade já atingiu as maturidades neurológica, lingüística, perceptual e de estruturação lógica. Portanto, para que a criança adquira domínio sobre o código gráfico, além da maturidade, é necessário que apresente integridade dos órgãos sensoriais (audição e visão) e do Sistema Nervoso Central, que haja adequação do método de alfabetização utilizado e que fale corretamente. É claro que os aspectos afetivo-emocionais, motivacionais e de saúde geral também são de grande importância sobre o processo de aquisição do conhecimento (Sacaloski et al, 2000). Mas e quando isso não acontece? O que fazer quando a criança falha na aprendizagem acadêmica mesmo tendo todos os processos responsáveis pela aquisição das informações íntegros? Nesse caso nós temos os chamados distúrbios de aprendizado, que são definidos como grupo de dificuldades específicas e pontuais, caracterizadas pela presença de disfunção neurológica, responsável pelo insucesso na escrita, leitura e cálculo matemático (Ciasca, 2004) Segundo DSM-IV “transtornos de aprendizado são diagnosticados quando os resultados do indivíduo em testes padronizados e individualmente administrados de leitura, matemática ou expressão escrita estão substancialmente abaixo do esperado para sua idade, escolarização e nível de inteligência...(p.44)”. Todas as definições referem-se aos distúrbios de aprendizado como déficits que envolvem tais habilidades: linguagem oral, leitura, escrita, matemática, raciocínio, ou as combinações e/ou relações entre elas. No Brasil, os distúrbios de aprendizado têm incidência de 3 a 5 % da população geral com dificuldade acadêmica (Ciasca, 2003). Estes transtornos interferem significantemente no rendimento escolar e nas atividades de vida diária que exigem habilidades de leitura, matemática ou escrita. Desmoralização, baixa auto-estima e déficits nas habilidades sociais (isolamento) geralmente estão associados com esses distúrbios. Os distúrbios específicos de aprendizado incluem a dislexia (dificuldade na leitura); a disgrafia (dificuldade motora na escrita); a disortografia (dificuldade na ortografia - escrita incorreta com erros e trocas de grafemas); e a discalculia (dificuldade de executar operações matemáticas). Quem observa os primeiros sinais de dificuldade acadêmica do estudante é o professor, o qual deve encaminhá-lo para avaliação fonoaudiológica, a fim de que seja diagnosticado se há ou não distúrbio de aprendizado. Portanto, no trabalho fonoaudiológico do paciente com alteração na leitura e na escrita é indispensável a parceria com o professor. É importante que o professor responda a um relatório que conste de: Þ histórico e características do aluno: repetências, freqüência escolar, interesse, local em que senta na sala Þ aspectos gerais sobre a adaptação do aluno em sala de aula Þ relação com os colegas Þ comportamento e postura em sala de aula Þ manifestações observadas na leitura e na escrita: tipo de trocas, produção de texto, leitura... Através de todas essas informações o fonoaudiólogo fará a avaliação e posteriormente serão feitos os encaminhamentos necessários para a complementação de dados e elaboração de um planejamento terapêutico. Tal planejamento varia de individuo para individuo dependendo das características, habilidades e dificuldades de cada um nos códigos orais e/ou gráficos.
Bibliografia: Þ Sacaloski et al. Fonoaudiologia na escola. Lovise, 2000. Þ Ciasca SM. Distúrbios de Aprendizagem: proposta de avaliação interdisciplinar. Casa do Psicólogo, 2004. |
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Distúrbios de aprendizado: como diagnosticar? |