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Disfluência

Tanto a fluência como a disfluência são vistas como constituintes de uma fala normal. As disfluências em falantes normalmente fluentes são aceitas pelo interlocutor e, freqüentemente, até pouco percebidas. A que é julgada patológica é, em geral, a que se mostra de uma forma mais sistemática, com um modelo mais estruturado.

 

“Fluência envolve a suavidade com que as unidades da fala (sons, silabas, palavras e frases) fluem juntas. A fala fluente flui facilmente e usualmente não usa esforço. Quebras anormais desse fluxo ou fala com esforço, não constituem uma fala fluente” (HOOD apud MEIRA, 2004).

 

As qualidades que constituem uma fluência normal são: continuidade, velocidade, ritmo e esforço. Assim sendo, a qualidade essencial da fluência é o uso de tônus muscular equilibrado nos movimentos de respiração, fonação e articulação, que permita a flexibilidade e a coordenação necessárias.

 

Portanto, tanto a fluência como a disfluência, são características presentes e experimentadas por todos os falantes.

 

Disfluência também é conhecida como gagueira. Existem várias definições para gagueira, cada uma delas aborda alguns de seus aspectos. Algumas remetem à causa (neurológica, psicológica, social), e outras descrevem suas manifestações; todas, porém atribuem à gagueira dificuldades nas áreas emocional, social e nos aspectos motores da fala.

 

Segundo DSM-IV, gagueira é a perturbação na fluência normal e no ritmo da fala (que não corresponde à idade do sujeito), caracterizada por ocorrências freqüentes de uma ou várias das seguintes manifestações:

1 - repetições de sons e silabas;

2 - prolongamentos de sons;

3 - interjeições;

4 - palavras truncadas (ex: pausa no curso de uma palavra);

5 - bloqueios audíveis ou silenciosos (pausas durante o discurso, preenchidas por outra coisa ou vazias);

6 - circunlocuções ( substituições de palavras para evitar as que são problemáticas)

7 - tensão física excessiva acompanhando a produção de determinadas palavras;

8 - repetições de palavras monossilábicas completas (ex: “eu-eu-eu-eu vou”).

A perturbação na fluência interfere no rendimento escolar e profissional ou na comunicação social.

 

A gagueira ou disfluência é normal em certa faixa etária (dois a cinco anos) e faz parte da trajetória natural do desenvolvimento da fala. É a chamada disfluência fisiológica ou do desenvolvimento. Isso ocorre porque as crianças ainda não possuem vocabulário suficiente para transmitir todos os seus pensamentos e idéias.

 

A criança superará ou não essa fase dependendo de como o ambiente receber essa dificuldade natural, ou seja, os responsáveis e adultos próximos dessa criança devem aceitar essa disfluência como uma dificuldade natural.

 

Os responsáveis que são exigentes demais e fazem criticas e brincadeiras sobre o jeito da criança se expressar, fazem com que esta se sinta envergonhada. A partir daí a criança passa a controlar conscientemente esse modo de falar, prejudicando ainda mais a sua fluência.

 

 

Referências:

 

Meira, Isis. Abordagem Fenomenológica da Fluência. In: Ferreira, Leslie Piccolotto; Befi-Lopes, Débora; Limongi, Suelly Cecília Olivan (org). Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Roca, 2004. p. 1017-1026.

 

Guerra, Gledis regia; Sacaloski, Marisa; Alavarsi, Edna. Disfluecia. São Paulo: Lovise, 2000. cap. 9, p.117-126: Fonoaudiologia na Escola.

 

DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), 4º ed. Disponível em: <http://www.psicosite.com.br/cla/d_inf_adol.htm#3070>. Acesso em nov. 2008.